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sexta-feira, 11 de maio de 2012

DOR NAS COSTAS

DOR NAS COSTAS
hmsportugal

O QUE É

A dor nas costas pode constituir um sintoma de muitas doenças e patologias diferentes. A principal causa da dor pode ser um problema na própria coluna ou um problema noutra parte do corpo. Muitas vezes os médicos não conseguem encontrar uma causa exacta para a dor.

CAUSAS MAIS FREQUENTES

Stress ou lesão envolvendo os músculos da coluna, incluindo:
Distensão da coluna;
Sobrecarga crónica dos músculos da coluna provocada por obesidade;
Sobrecarga aguda (ou subaguda) dos músculos provocada por um stress como, por exemplo, levantar pesos ou gravidez .
Doença ou lesão envolvendo os ossos da coluna (vértebras), nomeadamente:
Fractura devido a um acidente
Osteoporose (diminuição da massa óssea)
Artrose (processo de “desgaste” das articulações que pode estar relacionado com a idade, utilização abusiva da articulação e predisposição genética).
Doença ou lesão dos nervos, incluindo:
Compressão nervosa por uma hérnia discal
Canal lombar estreito (conflito entre o conteúdo do canal vertebral e as suas paredes)
Cálculos renais (“pedras nos rins”) ou uma infecção renal (pielonefrite)

CAUSAS MAIS RARAS

Artrite, incluindo espondilite anquilosante e doenças relacionadas
Um tumor ou cancro que se disseminou para a coluna a partir de qualquer outro ponto do corpo (metástases)
Infecção, que pode ser no espaço do disco, osso (osteomielite), abdómen ou cavidade pélvica

MANIFESTAÇOES CLÍNICAS

A dor nas costas tem múltiplas formas de apresentação possíveis. Algumas manifestações clínicas podem sugerir que a dor nas costas tem uma causa mais grave, nomeadamente: febre, traumatismo recente, perda de peso, antecedentes de cancro e manifestações neurológicas, tais como fraqueza muscular ou incontinência urinária ou fecal (perda involuntária de urina ou fezes).

AS CARACTERÍSTICAS DA DOR nas costas podem ajudar a apontar a sua causa. Eis alguns exemplos:

Distensão da coluna (lumbago agudo) – A dor na coluna começa, tipicamente, no dia seguinte a um esforço intenso. Os músculos da coluna, nádegas e coxas encontram-se, muitas vezes, doridos. A coluna pode apresentar áreas que são dolorosas quando tocadas ou pressionadas.

Fibromialgia – Além da dor nas costas, existem outras áreas de dor e rigidez no tronco, pescoço, ombros, joelhos e cotovelos (dor generalizada). Estas queixas são mais graves de manhã e ao fim da tarde/início da noite. Habitualmente, as pessoas sentem um cansaço anormal (acordam cansadas) e têm alterações do sono. Na observação, os doentes apresentam múltiplos pontos dolorosos à palpação.

Artrose da coluna – Ocorre dor que agrava com a mobilização da coluna e que se desenvolve durante muitos anos. Também pode ocorrer rigidez.

Artrite, incluindo espondilite anquilosante e problemas relacionados – Nestas perturbações, verifica-se dor na parte inferior das costas, juntamente com rigidez matinal na coluna e/ou ancas. Também pode haver dor e rigidez no pescoço ou tórax e uma sensação de cansaço extremo.
Outras manifestações podem incluir psoríase, dor e vermelhidão oculares ou diarreia, dependendo da perturbação específica que está a provocar a dor nas costas.
Este grupo de doenças é menos frequente que a distensão, a artrose, a osteoporose, a fibromialgia e a hérnia discal

Osteoporose – Esta doença comum caracteriza-se por perda de massa óssea com enfraquecimento dos ossos, que podem sofrer uma fractura facilmente. É mais comum nas mulheres após a menopausa. Quando ocorre fractura das vértebras, estas colapsam e as costas podem ficar arqueadas (“corcunda”). A osteoporose evolui sem qualquer sintoma até que ocorra uma fractura óssea, altura em que pode surgir uma dor nas costas que piora com o movimento (incluindo o espirro ou a tosse) e melhora com o repouso.
As fracturas vertebrais podem ser de difícil diagnóstico porque podem ocorrer mesmo sem um traumatismo significativo e manifestar-se por uma dor crónica.

Cancro nas vértebras ou estruturas adjacentes – A dor nas costas é persistente e pode agravar-se quando o doente está deitado. Pode surgir entorpecimento ou formigueiro nas pernas de agravamento progressivo. Se o cancro comprimir os nervos que controlam a bexiga e o intestino, pode ocorrer incontinência urinária e fecal (perda involuntária da urina e fezes).

Hérnia discal – Na coluna, as vértebras estão separadas por um disco intervertebral, que tem um núcleo gelatinoso com função amortecedora (o núcleo pulposo). A hérnia discal é um prolapso (protusão) do núcleo pulposo do disco intervertebral. As pessoas com doença significativa do disco intervertebral podem ter dor intensa na parte inferior da coluna. Se a hérnia comprimir o nervo ciático, a dor pode irradiar para uma perna (ciática). A dor agrava-se com movimentos da coluna como dobrar-se ou torcer-se.

Canal lombar estreito – A dor, entorpecimento e fraqueza afectam a coluna e as pernas. Os sintomas agravam-se quando o doente está em pé ou a andar e são aliviados quando se senta ou dobra para a frente.

Pielonefrite – As pessoas com uma infecção renal têm, tipicamente, dor aguda intensa de um dos lados da região lombar, que pode irradiar para o abdómen inferior ou para a virilha. Também pode ocorrer febre alta, arrepios de frio, náuseas e vómitos. A urina pode ser turva, com cheiro fétido e/ou tingida de sangue. Podem ocorrer sintomas adicionais relacionados com a bexiga: micções invulgarmente frequentes, grande urgência em urinar, dor ou desconforto durante a micção e dor ou pressão na área da bexiga (na zona média da parte inferior do abdómen).

DIAGNÓSTICO

O médico irá questioná-lo relativamente aos sintomas e à sua história médica. Irá avaliar a coluna e os músculos das costas, os movimentos da coluna e, eventualmente, a sensibilidade, a força muscular e os reflexos. Se o médico suspeitar de uma hérnia discal, poderá pesquisar o sinal de Lasègue: com o doente deitado na marquesa, o médico levanta uma das pernas do doente, com o joelho esticado. Este sinal é positivo se o doente sentir uma dor na parte inferior da coluna que irradia para o pé.

Os seus sintomas e o exame físico podem dar informação suficiente ao médico para excluir uma doença grave e, por vezes, para chegar ao diagnóstico. Se o seu médico suspeitar que a dor nas costas é provocada por distensão muscular, obesidade, gravidez ou outra situação clínica que não seja urgente, poderá considerar que não é necessário qualquer exame adicional. No entanto, se suspeitar de um problema mais grave envolvendo as vértebras ou os nervos, sobretudo se a dor nas costas tiver uma duração superior a 12 semanas, pode precisar de um ou mais dos seguintes exames:

Radiografias da coluna
Análises ao sangue e à urina
Tomografia computorizada (TC) ou Ressonância magnética (RMN)
Estudos de condução nervosa e electromiografia para determinar se os nervos e/ou músculos estão danificados
Cintigrafia óssea, sobretudo em caso de história prévia de cancro

EVOLUÇÃO CLÍNICA

A duração da dor nas costas depende da sua causa. Por exemplo, se a dor for provocada por distensão devido a um esforço excessivo, geralmente os sintomas diminuem ao longo de dias ou semanas e o doente pode conseguir voltar, gradualmente, às suas actividades quotidianas normais. No entanto, enquanto tiver queixas, o doente deve evitar levantar pesos, permanecer sentado de forma prolongada ou fazer movimentos bruscos com as costas, como dobrar-se ou torcer-se.

As mulheres que apresentam dor nas costas provocada pelo peso adicional da gravidez melhoram quase sempre após o parto. As pessoas que são obesas devem perder peso para diminuir a dor nas costas.

Quando a dor nas costas é provocada por uma pielonefrite (infecção dos rins), geralmente ocorre uma diminuição dos sintomas após o início da toma de antibióticos. Habitualmente o tratamento com antibióticos dura cerca de 2 semanas.

As pessoas com formas mais graves de dor nas costas provocada por patologia nas vértebras ou nos nervos, podem ter dor persistente, que dura mais de 12 semanas e até pode durar anos, dependendo da causa específica e do tratamento.

PREVENÇÃO

É possível evitar algumas formas de dor nas costas com o fortalecimento da coluna através da prática de exercícios e com a evicção de actividades que podem provocar lesões da coluna. Devem ser cumpridas algumas medidas gerais, incluindo:

Manter uma boa postura. Permaneça com as costas direitas, mantenha os seus ombros alinhados com as ancas e contraia as nádegas.
Dormir de lado ou de costas com uma almofada debaixo dos joelhos
Praticar exercício com regularidade, realizando alongamentos antes e após o exercício.
Fazer exercícios para reforçar os músculos abdominais, que apoiam a parte inferior da coluna. Deite-se de costas no chão, com as mãos atrás da cabeça e joelhos flectidos. Pressione o fundo das suas costas contra o chão e levante os seus ombros cerca de 25 cm acima do chão e de seguida baixe-os. Não precisa de os levantar tanto se isso lhe causar dor. Repita o movimento dez a vinte vezes por dia.
Caminhar ou nadar regularmente para reforçar a parte inferior da coluna.
Levantar sempre os objectos pesados com os joelhos flectidos, usando as ancas e as pernas para ajudar. Nunca se curve para a frente para erguer objectos pesados.
Evitar estar sentado ou em pé durante períodos de tempo prolongados. Se o seu trabalho o obriga a permanecer sentado durante longos períodos, faça intervalos regulares para se levantar e caminhar um pouco. Se, por outro lado, tiver que permanecer de pé, coloque sempre um pé num pequeno bloco e vá mudando o pé de apoio ao longo do dia.
Evitar sapatos com saltos que tenham mais de 3,5-5 cm de altura. Os saltos altos deslocam o peso para a frente, colocando o corpo fora do alinhamento correcto.
Para ajudar a evitar a osteoporose, deve ter em atenção as necessidades diárias de cálcio e vitamina D, de acordo com o seu grupo etário. Pratique exercício físico de carga. Evite fumar e limite a quantidade de álcool que bebe. Se for mulher e estiver na fase da menopausa, pergunte ao seu médico se tem indicação para realizar uma densitometria para avaliar a densidade mineral óssea (nem todas as mulheres pós-menopausa precisam deste exame) e se deve iniciar algum tratamento para prevenir ou diminuir a osteoporose.

TRATAMENTO

A maioria dos episódios de dor nas costas não é grave e pode ser tratada com:

Repouso na cama durante um período curto (não superior a dois dias)
Paracetamol (para a dor) ou agentes anti-inflamatórios orais (para a dor e inflamação) tais como o ibuprofeno ou naproxeno
Relaxantes musculares
Compressas quentes ou frias
As pessoas com dor nas costas devem voltar, gradualmente, às suas actividades normais. No entanto, devem evitar, temporariamente, levantar pesos, estarem sentadas durante períodos prolongados ou fazerem movimentos bruscos que envolvam a coluna.

Durante o período de recuperação, o médico pode marcar uma consulta de seguimento para confirmar o desaparecimento dos sintomas e para que possa retomar, de modo seguro, todas as suas actividades normais.

Se a dor nas costas estiver relacionada com perturbações mais graves das vértebras ou nervos ou se não melhorar ao fim de algumas semanas, pode ser referenciado para um especialista: um Ortopedista (um médico especialista nas doenças dos ossos), um Reumatologista (um médico especialista nas doenças articulares) ou, em determinados casos, um Neurocirurgião (um médico especialista nas cirurgias do cérebro, medula e nervos). Em casos excepcionais de dor persistente e incapacitante, o doente poderá ser referenciado para uma Consulta de Dor.

Quando Contactar um Médico

Contacte o médico se:

A dor nas costas é muito intensa e impossibilita as actividades normais da vida diária.
A dor das costas surgiu na sequência de um traumatismo significativo.
A dor das costas era ligeira mas teve um agravamento ao fim de alguns dias ou se persiste durante mais do que uma ou duas semanas.
A dor nas costas é acompanhada de perda de peso, febre, arrepios ou sintomas urinários.
Desenvolver subitamente fraqueza, “encortiçamento” ou formigueiro numa perna.
Tiver alterações da sensibilidade na região genital e anal ou incontinência urinária ou fecal (perda involuntária da urina ou fezes)
Tiver uma dor das costas persistente e tem antecedentes de cancro.

PROGNÓSTICO

Mais de 90% das pessoas com dor das costas melhoram após tratamento conservador (ou seja, com medidas gerais e medicamentos). Apenas 5% das pessoas com dor das costas apresentam sintomas durante mais de 12 semanas e, para a maioria destas pessoas, a causa não é grave.J.N.

sábado, 5 de maio de 2012

New England Journal of Medicine

ASPIRINA FUNCIONA TÃO BEM QUANTO OUTRO FÁRMACO PARA DOENTES CARDÍACOS
New England Journal of Medicine

A aspirina funciona tão bem quanto o anticoagulante varfarina na maioria dos doentes com insuficiência cardíaca para prevenir acidente vascular cerebral /AVC) e morte, segundo um estudo internacional divulgado esta quarta-feira, avança a AFP.
As descobertas, publicadas na revista científica New England Journal of Medicine, surgiram de um estudo de referência clínica com 10 anos de duração, que acompanhou 2.305 pacientes em 11 países.
O risco combinado de hemorragia, AVC e morte era de 7,47% ao ano para os pacientes que tomavam varfarina e de 7,93% ao ano para os que tomavam aspirina, uma diferença que os cientistas consideram estatisticamente insignificante.
Os pacientes que tomavam o anticoagulante, de nome comercial Coumadin®, tinham a metade do risco de AVC do que os que tomavam aspirina, mas os pacientes que tomavam varfarina tinham o dobro de risco de sofrer uma hemorragia grave, razão pela qual estes dois factores se anularam mutuamente, segundo os cientistas.
Houve alguma evidência entre pacientes que tomavam varfarina, estudados durante quatro anos ou mais, de que os anticoagulantes podem ter benefícios superiores à aspirina, mas são necessários mais estudos para confirmá-lo, destacou o informe.
"Visto que os riscos e benefícios globais são similares na aspirina e na varfarina, o paciente e o seu médico são livres para escolher o tratamento que melhor se adapta às suas necessidades médicas específicas", disse o principal investigador, Shunichi Homma, da Universidade de Columbia.
"No entanto, em vista da conveniência e do baixo custo da aspirina, muitos podem seguir este caminho", observou.
A insuficiência cardíaca pode aumentar o risco de coágulos sanguíneos, que podem causar derrame cerebral. A aspirina previne a coagulação do sangue e a varfarina, disponível com receita médica, dilui o sangue.
"Com pelo menos seis milhões de americanos, e muitos mais em todo o mundo, sofrendo de insuficiência cardíaca, o resultado do estudo WARCEF terá um grande impacto na saúde pública", afirmou Walter Koroshetz, vice-director do Instituto Nacional de Transtornos Neurológicos e Acidentes Vasculares Cerebrais dos Estados Unidos (NINDS, na sigla em inglês).
"A decisão chave será entre o aumento do risco de acidente vascular cerebral com aspirina ou o aumento do risco de hemorragia gastrointestinal com a varfarina", disse.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

ENFARTE AGUDO DO MIOCÁRDIO

ENFARTE AGUDO DO MIOCÁRDIO
O enfarte agudo do miocárdio é uma urgência médica na qual parte do fluxo sanguíneo que chega ao coração se vê reduzida ou interrompida de maneira brusca e grave e, como consequência, produz-se uma destruição (morte) do músculo cardíaco (miocárdio) por falta de oxigénio.

Algumas pessoas usam o termo «ataque cardíaco» de uma forma ampla, aplicando-o a outras doenças ca...
rdíacas. Mas neste capítulo, o termo refere-se especificamente a um enfarte do miocárdio.

CAUSAS
O enfarte agudo de miocárdio ocorre geralmente quando a obstrução de uma artéria coronária restringe gravemente ou interrompe o fornecimento de sangue a uma região do coração. Se o fornecimento é interrompido ou reduzido significativamente durante mais do que alguns minutos, o tecido cardíaco é destruído.

A capacidade do coração para continuar a bombear depois de um ataque cardíaco depende directamente da extensão e da localização do tecido lesionado (enfarte). Devido ao facto de cada artéria coronária alimentar uma determinada secção do coração, a localização da lesão depende da artéria obstruída. Se a lesão afecta mais de metade do tecido cardíaco, o coração, geralmente, não pode funcionar e é provável que se verifique uma incapacidade grave ou a morte. Mesmo quando a lesão é menos extensa, o coração pode não ser capaz de bombear adequadamente; produz-se, então, uma insuficiência cardíaca ou um choque (que é um quadro ainda mais grave). O coração lesionado pode dilatar-se, em parte para compensar a diminuição da capacidade de bombeamento (um coração maior bate mais energicamente). O aumento de volume pode também reflectir a própria lesão do músculo cardíaco. Quando, depois de um enfarte, o coração se dilata, o prognóstico é pior do que quando o coração conserva o seu tamanho normal.

A causa mais frequente de obstrução de uma artéria coronária é um coágulo sanguíneo. Geralmente, a artéria já está parcialmente estreitada por ateromas. Um ateroma pode rebentar ou rasgar-se e criar mais obstrução, o que provoca a formação de um coágulo. O ateroma rebentado não só diminui o fluxo de sangue através de uma artéria, mas também faz com que as plaquetas se tornem mais aderentes e isso aumenta ainda mais a formação de coágulos.

Uma causa não frequente de enfarte é um coágulo que provenha do próprio coração. Às vezes, forma-se no coração um coágulo (êmbolo), que se desprende e se fixa numa artéria coronária. Outra causa não frequente é um espasmo de uma artéria coronária que interrompa o fluxo sanguíneo. Os espasmos podem ser causados por drogas como a cocaína ou pelo consumo de tabaco, mas às vezes a causa é desconhecida.

SINTOMAS
Aproximadamente duas em cada três pessoas que têm enfarte referem ter tido angina de peito intermitente, dispneia (falta de ar) ou fadiga poucos dias antes. Os episódios de dor podem tornar-se mais frequentes, inclusive com um esforço físico cada vez menor. A angina instável pode acabar num enfarte.
De um modo geral, o sintoma mais típico é a dor no meio do peito que se estende às costas, ao maxilar, ao braço esquerdo ou, com menor frequência, ao braço direito. A dor pode aparecer numa ou em várias destas localizações e, pelo contrário, não no peito.
A dor de um enfarte é semelhante à da angina de peito, mas é,
geralmente, mais intensa, dura mais tempo e não se acalma com o repouso ou com a administração de nitroglicerina.
Com menos frequência, a dor sente-se no abdómen e pode confundir-se com uma indigestão, sobretudo porque o arroto pode aliviá-la de forma parcial ou transitória.

Outros sintomas incluem uma sensação de desfalecimento e de um forte martelar do coração. Os batimentos irregulares (arritmias) podem interferir gravemente com a capacidade de bombeamento do coração ou provocar a interrupção do mesmo (paragem cardíaca), conduzindo à perda de consciência ou à morte.

Durante um enfarte, o doente pode sentir-se inquieto, suado, ansioso e experimentar uma sensação de morte iminente. Há casos em que os lábios, as mãos ou os pés se tornam ligeiramente azuis (cianose). Também pode observar-se desorientação nos idosos.

Apesar de todos estes possíveis sintomas, uma em cada cinco pessoas que sofrem um enfarte até têm sintomas ligeiros ou mesmo absolutamente nenhum. Pode acontecer que este enfarte silencioso só seja detectado algum tempo depois, ao efectuar-se um electrocardiograma (ECG) por qualquer outro motivo.

DIAGNÓSTICO
Quando um homem com mais de 35 anos ou uma mulher com mais de 50 apresentam uma dor no peito, o médico considera, habitualmente, a possibilidade de um enfarte. Mas vários outros quadros podem produzir uma dor semelhante: uma pneumonia, um coágulo no pulmão (embolia pulmonar), a inflamação da membrana que rodeia o coração (pericardite), uma fractura de costela, um espasmo do esófago, uma indigestão ou dor nos músculos do peito depois de uma lesão ou de um esforço.
Um ECG e certas análises de sangue confirmam, de um modo geral, o diagnóstico de enfarte em algumas horas.

O ECG é o exame diagnóstico inicial mais importante quando se suspeita de um enfarte agudo de miocárdio. Em muitos casos, mostra imediatamente que uma pessoa está a ter um enfarte. Segundo o tamanho e a localização da lesão do músculo cardíaco, podem ver-se diferentes anomalias no ECG. No caso de perturbações cardíacas prévias que tenham alterado o ECG, a lesão em curso será mais difícil de detectar. Se vários ECG efectuados no decorrer de várias horas forem normais, é improvável que se trate de um enfarte, embora algumas análises de sangue e outros exames possam ajudar a determinar o diagnóstico.

A medição das concentrações de certos enzimas no sangue é útil para diagnosticar um enfarte. O enzima CK-MB encontra-se normalmente no músculo cardíaco e, quando este se lesiona, é libertado para o sangue. Às 6 horas de um enfarte já se detectam concentrações elevadas no sangue e persistem durante um período de 36 a 48 horas. As concentrações deste enzima determinam-se no momento da entrada no hospital e depois durante 6 a 8 horas durante as 24 horas seguintes.
Outras enzimas e marcadores podem estar alterados, tais como a troponina e LDH.

Quando o ECG e a determinação de CK-MB não proporcionam informação suficiente, pode efectuar-se um ecocardiograma ou um estudo radioisotópico. Os ecocardiogramas podem mostrar uma redução da mobilidade de uma parte da parede ventricular esquerda (a cavidade do coração que bombeia o sangue para o corpo), o que sugere uma lesão por enfarte. As imagens com isótopos radioactivos podem evidenciar uma redução persistente do fluxo de sangue numa região do músculo cardíaco, o que sugere a existência de uma cicatriz (tecido morto) causada por um enfarte.

TRATAMENTO
Um enfarte agudo do miocárdio é uma urgência médica. Metade das mortes por enfarte ocorrem nas primeiras 3 ou 4 horas após o começo dos sintomas. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, maiores serão as probabilidades de sobrevivência. Qualquer pessoa que tenha sintomas que sugiram um enfarte deverá consultar um médico imediatamente.

De modo geral, a pessoa com um presumível enfarte costuma entrar num hospital equipado com uma unidade coronária. A frequência cardíaca, a pressão arterial e o oxigénio no sangue são atentamente vigiados para avaliar o grau de dano ao coração. O pessoal de enfermaria destas unidades está especialmente treinado para assistir os doentes com perturbações cardíacas e para tratar as urgências cardíacas.

TRATAMENTO INICIAL
Administra-se, geralmente, de imediato um comprimido mastigável de aspirina. Esta terapia aumenta as probabilidades de sobrevivência ao reduzir o coágulo na artéria coronária. Devido ao facto de a diminuição do trabalho do coração contribuir também para limitar a lesão, administra-se um betabloqueador para retardar a frequência cardíaca e, ao mesmo tempo, conseguir que o coração tenha de se esforçar menos para bombear o sangue para todo o organismo.

Muitas vezes, administra-se oxigénio através de uma máscara ou de um tubo com as extremidades introduzidas nas fossas nasais. Esta terapia aumenta a pressão do oxigénio no sangue, o que proporciona mais oxigénio ao coração e permite que a lesão do tecido cardíaco seja limitada o mais possível.

Se se eliminar a obstrução da artéria coronária rapidamente, pode salvar-se o tecido cardíaco. Para conseguir este objectivo, tenta-se, amiudadas vezes, a dissolução dos coágulos sanguíneos numa artéria através de um tratamento trombolítico; este compreende a utilização de fármacos como a estreptoquinase, a uroquinase ou o activador tecidular do plasminógeno. Para serem eficazes, os fármacos devem ser administrados por via endovenosa nas primeiras 6 horas a partir do início dos sintomas de enfarte. Depois deste tempo, algumas lesões já são permanentes, e por isso a reperfusão da artéria provavelmente já não será útil. O tratamento precoce aumenta o fluxo de sangue em 60 % a 80 % dos casos e permite que a lesão do tecido cardíaco seja mínima. A aspirina, que evita que as plaquetas formem coágulos sanguíneos, ou a heparina, que também interrompe a coagulação, podem aumentar a eficácia do tratamento trombolítico.

Devido ao facto de a terapia trombolítica poder causar hemorragias, não se administra geralmente às pessoas que têm hemorragia gastrointestinal, hipertensão grave, um AVC recente ou às que se submeteram a uma operação cirúrgica durante o mês anterior ao enfarte. As pessoas de idade avançada que não sofrem de nenhuma destas afecções também podem submeter-se com segurança a este tratamento.

Alguns centros especializados no tratamento cardiovascular utilizam a angioplastia ou a cirurgia de derivação (bypass) das artérias coronárias imediatamente depois do enfarte, em vez de administrarem fármacos trombolíticos.

Se os fármacos utilizados para aumentar o fluxo sanguíneo das artérias coronárias não aliviam também a dor e o mal-estar do doente, injecta-se morfina. Este fármaco tem um efeito calmante e reduz o trabalho do coração. A nitroglicerina pode acalmar a dor, ao reduzir o trabalho do coração; geralmente, num primeiro momento, é administrada por via endovenosa.

TRATAMENTO POSTERIOR
Devido ao facto de a excitação, o esforço físico e o mal-estar emocional submeterem o coração ao stress e fazerem-no trabalhar mais intensamente, a pessoa que acaba de ter um enfarte deverá ficar em repouso num quarto tranquilo durante alguns dias. As visitas costumam limitar-se a membros da família e amigos íntimos. Pode ver-se televisão sempre e quando os programas não provocarem stress. Dado que fumar é o principal factor de risco para a doença das artérias coronárias e o enfarte, em quase todos os hospitais é proibido fumar e em especial nas unidades coronárias. Além disso, um enfarte é uma razão convincente para abandonar esse hábito.

Os enemas intestinais e os laxantes suaves podem utilizar-se para evitar a obstipação. Se a pessoa não puder urinar ou, então, se se tiver de controlar a quantidade de urina produzida, utiliza-se uma sonda vesical.

O nervosismo e a depressão são frequentes após um enfarte. Dado que um grande nervosismo pode aumentar a actividade do coração, pode administrar-se um tranquilizante fraco. Para fazer frente a uma depressão ligeira e a uma negação da doença, que são frequentes depois de se sofrer um enfarte, é conveniente que os doentes e os seus familiares e amigos falem de tudo o que os preocupa com os médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros terapeutas.

Os fármacos denominados inibidores do enzima conversor da angiotensina (ECA) podem reduzir o aumento do tamanho do coração em muitos doentes que sofrem de enfarte. Por conseguinte, estes medicamentos administram-se sistematicamente aos doentes poucos dias depois do enfarte.

PROGNÓSTICO E PREVENÇÃO
As pessoas que sobrevivem alguns dias após um enfarte, geralmente, podem esperar um restabelecimento completo, embora 10 % faleçam antes de decorrer um ano. As mortes verificam-se, habitualmente, nos primeiros 3 ou 4 meses, tipicamente em doentes que continuam a ter angina de peito, arritmias ventriculares e insuficiência cardíaca.

Para avaliar se uma pessoa terá mais perturbações cardíacas no futuro ou se necessitará de um tratamento adicional, podem levar-se a cabo alguns exames. Por exemplo, pode utilizar-se um monitor Holter para registar um ECG durante 24 horas, com o qual o médico poderá detectar se se produzem arritmias ou episódios de isquemia silenciosa. Uma prova de esforço (na qual o doente corre sobre um passadeira rolante enquanto se regista um ECG) antes ou pouco depois da alta do hospital pode contribuir para determinar o estado do coração após o enfarte e se a isquemia continua. Se estes exames revelarem a presença de arritmias ou de isquemia, é aconselhável um tratamento farmacológico. Se a isquemia persistir, pode efectuar-se uma arteriografia coronária para avaliar a possibilidade de uma angioplastia ou de uma operação de derivação (bypass) para restabelecer o fluxo sanguíneo no coração.

Após um enfarte de miocárdio, muitos médicos aconselham que se tome um comprimido de aspirina infantil, metade de um comprimido para adultos ou um comprimido completo para adultos. Uma vez que a aspirina evita que as plaquetas formem coágulos, reduz também o risco de morte e o risco de um segundo enfarte em 15 % a 30 %. As pessoas com alergia à aspirina podem tomar ticlopidina ou clopidogrel. Também se prescrevem betabloqueadores porque diminuem o risco de morte em 25 %. Quanto mais grave é o enfarte, mais benefícios se obterão da administração destes fármacos. No entanto, algumas pessoas não toleram os efeitos secundários e tão-pouco se obtêm efeitos benéficos em todos os casos.

A REABILITAÇÃO
A reabilitação cardíaca é uma parte importante do restabelecimento. O repouso na cama durante mais de 2 ou 3 dias provoca uma deterioração física rápida e às vezes depressão e uma sensação de desamparo. Salvo complicações, os doentes com um enfarte, geralmente melhoram progressivamente e podem, passados dois ou três dias, sentar-se, fazer exercícios passivos, caminhar até ao banho e fazer trabalhos leves e ler. Geralmente, no fim de uma semana ou antes é dada alta aos doentes.

Nas 3 a 6 semanas seguintes, a pessoa deverá aumentar, paulatinamente, a actividade. A maioria pode retomar a actividade sexual sem perigo uma ou duas semanas depois de ter alta. Se não se verificarem dispneia nem dor no peito, as actividades normais podem ser retomadas ao fim de 6 semanas.

Depois de um enfarte do coração, o médico e o doente deverão falar sobre os factores de risco que contribuem para a doença das artérias coronárias, sobretudo aqueles que o doente pode mudar. Deixar de fumar, reduzir o peso, controlar a pressão arterial, reduzir os valores sanguíneos do colesterol com uma dieta ou com medicamentação e efectuar exercícios aeróbicos diariamente são medidas que diminuem o risco de sofrer de uma doença das artérias coronárias.

COMPLICAÇÕES DE ENFARTE AGUDO DO MIOCÁRDIO
Uma pessoa que sofre um enfarte pode experimentar alguma das complicações seguintes: ruptura do miocárdio, coágulos sanguíneos, insuficiência cardíaca, choque, arritmias ou pericardite.

Ruptura do miocárdio Devido à debilidade do músculo cardíaco lesionado, às vezes rompe-se pela pressão da própria actividade do coração ao contrair-se. Há duas partes do coração particularmente susceptíveis de ruptura durante depois de um enfarte: a parede do músculo cardíaco e os músculos que controlam a abertura e o fecho da válvula mitral. Se estes músculos se rompem, a válvula não pode funcionar e o resultado é uma insuficiência cardíaca grave e repentina.
O músculo cardíaco pode romper-se na parede que separa os dois ventrículos (septo ou septum) ou na parede cardíaca externa. Embora as rupturas do septo possam ser reparadas cirurgicamente, as da parede externa têm quase sempre um desfecho mortal rápido.

Uma perturbação mais frequente é a contracção inadequada do músculo cardíaco lesionado por um enfarte, mesmo quando não tenha sido lacerado ou rompido. O músculo danificado é substituído por um tecido fibroso (cicatriz) que se contrai muito pouco ou não se contrai de todo. Por vezes, parte da parede cardíaca expande-se ou sobressai quando deveria contrair-se. Os inibidores do enzima de conversão da angiotensina (ECA) reduzem a extensão destas zonas anormais.

O músculo danificado pode converter-se numa leve protuberância (aneurisma) na parede cardíaca. Embora se possa suspeitar de um aneurisma a partir dos resultados anómalos de um electrocardiograma (ECG), é necessário um ecocardiograma para confirmar o diagnóstico.
Estes aneurismas não se rompem, mas podem causar episódios de arritmia e diminuir a capacidade de bombeamento do coração.

Uma vez que o sangue flui mais lentamente através dos aneurismas, podem formar-se coágulos sanguíneos nas cavidades cardíacas.
Coágulos sanguíneos Formam-se coágulos no coração em 20% a 60% dos casos de enfarte. Em cerca de 5% dos afectados, podem desprender-se partes desses coágulos, deslocar-se pelas artérias, fixar-se nos pequenos vasos sanguíneos por todo o corpo e, por consequência, obstruir o fornecimento de sangue a uma parte do cérebro (causando um AVC) ou a outros orgãos.
Um ecocardiograma pode detectar coágulos que se estão a formar no coração ou facilitar a avaliação dos factores de predisposição, com uma zona do ventrículo esquerdo cuja contracção seja pouco eficaz. Administram-se, frequentemente, anticoagulantes como a heparina e a varfarina para evitar a formação do coágulos. Habitualmente, continua-se o tratamento durante 3 a 6 meses depois do enfarte agudo miocárdio.
J.N.
 
 
 

ANGINA DE PEITO

ANGINA DE PEITOhmsportugal

O QUE É
A angina de peito, também chamada de angor pectoris, é um desconforto ou dor no peito que ocorre quando não chega às células musculares do coração sangue rico em oxigénio em quantidade suficiente. A angina não é uma doença mas sim um sintoma de uma condição mais grave, normalmente uma doença coronária, em que os vasos que fornecem sangue ao coração se apresent
am estreitados ou obstruídos. A doença coronária é normalmente causada pela aterosclerose, uma situação em que depósitos gordos (chamados “placas”) se formam ao longo das paredes interiores dos vasos sanguíneos. Apesar de a angina afectar mais frequentemente homens de meia-idade ou mais velhos, pode ocorrer em ambos os sexos e em todas as faixas etárias.

SINTOMAS
A angina de peito provoca normalmente uma dor no peito tipo pressão, queimadura ou aperto. A dor principal situa-se habitualmente por baixo do esterno, mas pode também atingir a garganta, os braços, os maxilares, a zona entre as omoplatas ou até mesmo o estômago. Outros sintomas que podem estar relacionados com a angina de peito incluem náuseas, tonturas, dificuldade em respirar/falta de ar e sudação.

Os médicos dividem a angina de peito em dois tipos:
Angina estável — A dor no peito segue um padrão específico, ocorrendo quando alguém pratica actividade física intensa ou experimenta emoções extremas. Outras situações que levam à angina de peito incluem fumar um cigarro ou um charuto, o tempo frio, uma refeição grande e o esforço na casa de banho. A dor normalmente desaparece quando o factor desencadeante termina.

Angina instável — Os sintomas são menos previsíveis e deve chamar um médico imediatamente quando a tiver. Esta dor no peito ocorre em repouso, durante o sono ou frequentemente com um esforço mínimo, podendo o desconforto ser prolongado e intenso.

DIAGNÓSTICO
O médico pode suspeitar que tem angina de peito baseado nos sintomas e no risco de doença coronária. O médico irá rever o seu historial médico para saber se fuma (ou se fumou) e se tem diabetes e pressão arterial elevada, bem como questioná-lo acerca do historial médico da sua família, rever os seus níveis de colesterol, incluindo o colesterol LDL (mau) e o colesterol HDL (bom), e ainda verificar a pressão arterial e pulsação e auscultar o coração e os pulmões.
Pode precisar de realizar um ou mais dos seguintes testes de diagnóstico de forma a determinar se tem uma doença coronária:

Electrocardiograma (ECG) — O ECG é um registo dos impulsos eléctricos do coração que pode identificar problemas com a frequência e ritmo cardíaco e por vezes pode mostrar alterações indicativas de uma artéria bloqueada.
Prova de esforço — Se o ECG estiver normal e for capaz de andar, será encaminhado para realizar uma prova de esforço na qual terá de caminhar num tapete rolante enquanto a sua frequência cardíaca é monitorizada. Noutras provas de esforço utiliza-se medicação para estimular o coração, injectam-se corantes para procurar obstruções e fazem-se ecografias para fornecer mais informação.
Angiografia coronária — Estas radiografias das artérias coronárias constituem a forma mais fidedigna de avaliar a gravidade da doença coronária. Um tubo fino, longo e flexível (chamado cateter) é inserido numa artéria no antebraço ou na virilha. O médico orienta o cateter em direcção ao coração utilizando uma câmara especial e, assim que o cateter esteja em posição, é injectado um corante para mostrar o fluxo sanguíneo no interior das artérias coronárias, realçando quaisquer áreas estreitadas ou bloqueadas.

DURAÇÃO ESPERADA
Um episódio de angina de peito estável normalmente dura menos de cinco minutos. Uma dor que dure mais do que isso ou que seja intensa pode indicar uma diminuição mais significativa no fornecimento de sangue ao coração, sugerindo um ataque cardíaco ou uma angina instável.

PREVENÇÃO
Pode ajudar a prevenir a angina causada pela doença coronária controlando os factores de risco para as artérias obstruídas:

Colesterol alto — Siga as orientações do médico em relação a manter uma dieta pobre em gorduras e colesterol e, caso necessário, tome medicação para reduzir o colesterol.
Pressão arterial elevada — Siga as recomendações do médico em relação a alterar a dieta e tomar a medicação.
Tabagismo — Se fuma, deixe de o fazer; Se não fuma, não comece.
Diabetes — Teste o açúcar do sangue (glicemia) frequentemente, siga a sua dieta especial e tome a insulina ou a medicação oral conforme prescrito pelo médico.
Também é sensato fazer exercício físico regularmente e manter o peso ideal. Se os episódios de angina de peito forem desencadeados pelo stress emocional, pode ser útil aprender a controlá-lo ou a efectuar técnicas de relaxamento.

TRATAMENTO
Quando a angina é causada por uma doença coronária, o tratamento normalmente inclui:

Alterações do estilo de vida — As alterações incluem a perda de peso nos doentes obesos, uma terapêutica para deixar de fumar, medicamentos para baixar o colesterol alto, um programa de exercício físico regular para baixar a pressão arterial elevada e técnicas de redução do stress.
Nitratos, incluindo a nitroglicerina — Os nitratos são medicamentos que dilatam os vasos sanguíneos (vasodilatadores), aumentando o fluxo sanguíneo nas artérias coronárias e tornando mais fácil ao coração bombear o sangue para o resto do corpo.
Beta-bloqueantes, como o atenolol e o metoprolol — Estes medicamentos diminuem a sobrecarga do coração abrandando a frequência cardíaca e reduzindo a força das contracções do coração, especialmente durante o exercício físico.
Bloqueadores dos canais de cálcio, como a nifedipina, o verapamil, o diltiazem e a amlodipina — Estes medicamentos podem ajudar a melhorar a eficiência da função muscular do coração e podem diminuir o número e a gravidade dos episódios de dor no peito.
Aspirina — Uma vez que a aspirina ajuda a prevenir que coágulos sanguíneos se formem no interior de artérias coronárias estreitadas, pode reduzir o risco de ataques cardíacos em pessoas que já têm doença coronária.
Se as alterações do estilo de vida e os medicamentos não forem eficazes para aliviar a angina de peito ou quando o risco de ataque cardíaco é elevado, o médico pode recomendar uma angioplastia com balão ou uma cirurgia de pontagem (bypass) das artérias coronárias.

QUANDO CONTACTAR UM PROFISSIONAL
Contacte o médico se tiver dores no peito, mesmo que pense que é demasiado novo para ter uma angina peito e não exista uma história de problemas cardíacos na sua família. O médico irá recomendar os passos seguintes baseado na forma como descreve os seus sintomas e nos seus factores de risco.

PROGNÓSTICO
Em pessoas com doença coronária, o prognóstico depende de vários factores, incluindo a localização e a gravidade do estreitamento da artéria, assim como o número de artérias coronárias envolvidas. O tratamento adequado melhora significativamente o prognóstico nas pessoas com doença coronária.J.N.

FRUTOS VERMELHOS REDUZEM DECLÍNIO COGNITIVO

Estudo publicado na revista “Annals of Neurology”

FRUTOS VERMELHOS REDUZEM DECLÍNIO COGNITIVO

Os flavonoides são compostos que podem ser encontrados em plantas que têm habitualmente um forte poder antioxidante e anti-inflamatório. Os especialistas acreditam que o stress e a inflamação contribuem para os problemas cognitivos e que o consumo elevado destes tipo de compostos pode atenuar estes efeitos prejudiciais.

Para este estudo, os investigadores da Harvard Medical School, nos EUA, contaram com a participação de 16.010 mulheres, com uma média de 74 anos, as quais tinham preenchido, ao longo de 21 anos, questionários referentes aos seus hábitos alimentares e submetidas a testes para avaliação da sua função cognitiva desde os 70 anos.

O estudo revelou que o consumo de amoras e morangos atrasou o declínio cognitivo das participantes. O consumo elevado de um tipo de flavonoides, as antocianidinas, e de flavonoides totais foi também associado com uma redução da degeneração cognitiva.
Os investigadores liderados, por Elizabeth Devore, constataram que as mulheres que tinham um consumo mais elevado de frutos vermelhos apresentavam um atraso no envelhecimento cognitivo de cerca de 2,5 anos.

“Esta é a primeira evidência epidemiológica de que os  frutos vermelhos podem abrandar o declínio da função cognitiva nas mulheres idosas”, revelou em comunicado de imprensa, a investigadora. “Os nossos resultados poderão ter implicações na saúde pública, dado que um aumento do consumo de frutos vermelhos é uma modificação dietética simples de implementar, a qual pode proteger a função cognitiva dos indivíduos idosos”, conclui Elizabeth Devore. J. N.











"Yo no quiero un amor civilizado
con recibos y escena del sofá;
yo no quiero que viajes al pasado
y vuelvas del mercado
con ganas de llorar.
Yo no quiero vecinas con pucheros;
yo no quiero sembrar ni compartir;
yo no quiero catorce de febrero
ni cumpleaños feliz.

Yo no quiero cargar con tus maletas;
yo no quiero que elijas mi champú;
yo no quiero mudarme de planeta,
cortarme la coleta,
brindar a tu salud.
Yo no quiero domingos por la tarde;
yo no quiero columpio en el jardín;
lo que yo quiero, corazón cobarde,
es que mueras por mí.

Y morirme contigo si te matas,
y matarme contigo si te mueres.
Porque el amor cuando no muere mata,
porque amores que matan nunca mueren.

Yo no quiero juntar para mañana;
no me pidas llegar a fin de mes;
yo no quiero comerme una manzana
dos veces por semana
sin ganas de comer.

Yo no quiero calor de invernadero;
yo no quiero besar tu cicatriz;
yo no quiero Paris com aguacero
no Venecia sin ti.

No me esperes a las doce en el juzgado;
no me digas "volvamos a empezar";
yo no quiero ni libre ni ocupado,
ni carne ni pecado,
ni orgullo ni piedad.
Yo no quiero saber porque lo hiciste;
yo no quiero contigo nin sin ti;
Lo que yo quiero, muchacha de ojos tristes,
es que mueras por mí.

Y morirme ..."

Rita Ferro
in "Os Filhos da Mãe"

quinta-feira, 5 de abril de 2012

VAPOR de peróxido de hidrogénio como desinfetante químico eficaz
Artigo de Daniel Salamon, for Excerpta Medica

"O vapor é virucida contra vírus entéricos e respiratórios"

Introdução
Estudos epidemiológicos sugerem que a transmissão de vírus entéricos e respiratórios presentes nas casas e nos ambientes de tratamento de saúde é importante na disseminação de doenças.
Este artigo apresenta os result...ados de um estudo realizado para avaliar as propriedades químicas de um desinfetante feito à base de vapor de peróxido de hidrogénio (VPH) contra vírus respiratórios e entéricos.
Poliovírus, norovírus humano genogrupo II.4, norovírus murino 1, rotavírus, adenovírus e vírus da gripe A (H1N1) foram secos em bandejas de aço inoxidável, madeira e gaze e expostos ao VPH a 127 ppm por 1 hora sob temperatura ambiente num isolador. Além disso, o poliovírus foi exposto ao VPH em locais diferentes de uma sala. O efeito virucida do VPH foi medido comparando-se as titulações virais recuperáveis com os controles não expostos, sendo usadas reações de cadeia de polimerase para avaliar o efeito do VPH na redução do genoma viral.
A exposição à desinfecção por VPH resultou em total inativação de todos os vírus testados em bandejas de gaze; uma redução superior a 4 log10 em partículas infecciosas para poliovírus, rotavírus, adenovírus e norovírus murino em bandejas de aço inoxidável e madeira; e uma redução superior a 2 log10 para o vírus da gripe A em bandejas de aço inoxidável e madeira.
A total inativação do poliovírus foi demonstrada nos locais abertos da sala.
Mensagem importante
“O VPH pode ser um virucida eficaz contra vírus entéricos e respiratórios que contaminam os ambientes das casas”. JN

terça-feira, 3 de abril de 2012

DÉFICE DE ATENÇÃO

A "doença" da falta de atenção significa que a criança tem períodos de atenção escassos ou breves e uma impulsividade exagerada para a idade, tenha ou não hiperactividade.

Este problema afecta, aproximadamente, 5 % ou 10 % das crianças em idade escolar e é 10 vezes mais frequente em rapazes do que em raparigas. Vários sinais deste problema costumam descobrir-se antes dos 4 anos e invariavelmente antes dos 7, mas podem resultar insignificantes até à epoca do ensino intermédio.

Este problema geralmente é hereditário. Investigações recentes indicam que é provocado por anomalias nos neurotransmissores (as substâncias que transmitem os impulsos nervosos dentro do cérebro). O défice de atenção é frequentemente reforçado pelo ambiente familiar ou escolar.

SINTOMAS

O défice de atenção consiste basicamente em ter problemas de atenção contínua, de concentração e de persistência nas tarefas. Uma criança que sofre desta perturbação também pode ser impulsiva e hiperactiva. Muitas crianças que têm a "doença" e estão na idade pré-escolar são ansiosas, têm problemas de comunicação e relacionamento e não se comportam de forma conveniente. Durante as últimas etapas da infância estas crianças costumam mexer constantemente as pernas, agitar e esfregar as mãos, falar impulsivamente, esquecer facilmente as coisas e são desorganizadas, mas em geral não são agressivas. Aproximadamente 20 % das crianças com défice de atenção tem incapacidades de aprendizagem e cerca de 90 % têm problemas nos resultados escolares. Em cerca de 40 % dos casos as crianças são depressivas, ansiosas e hostis quando atingem a adolescência. Perto de 60 % das crianças pequenas manifestam este tipo de problema através de birras e a maioria das crianças mais velhas tem uma baixa tolerância à frustração. Embora a impulsividade e a hiperactividade tenham tendência a diminuir com a idade, a falta de atenção e os sintomas associados podem permanecer até à idade adulta.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico baseia-se na quantidade, frequência e gravidade dos sintomas. O diagnóstico costuma ser difícil, pois depende do julgamento do observador. Além disso, muitos sintomas não dizem respeito somente a crianças com défice de atenção, já que uma criança que não sofre deste distúrbio pode ter um ou mais dos sintomas citados.

TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

Os fármacos psicoestimulamntes são o tratamento mais eficaz. O tratamento com medicamentos costuma combinar-se com uma terapia comportamental realizada por um psicólogo infantil. Necessitam-se frequentemente estruturas, sistemas e técnicas adaptados a cada circunstância. No entanto, para as crianças que não são demasiado agressivas e que vêm de um ambiente familiar estável, pode ser só suficiente um tratamento com medicamentos.

O metilfenidato é o medicamento que se receita mais frequentemente. Revelou-se mais eficaz do que os antidepressivos, do que a cafeína e outros psicoestimulantes e provoca menos efeitos colaterais do que a dextroanfetamina. Os efeitos colaterais mais frequentes do metilfenidato são as alterações do sono, por exemplo a insónia, e a perda de apetite; outros efeitos podem ser depressão ou tristeza, dores de cabeça, dor de estômago e hipertensão arterial.
O metilfenidato pode atrasar o crescimento quando se toma em doses elevadas durante um longo período de tempo.

As crianças com défice de atenção não costumam, geralmente, ultrapassar as suas dificuldades. Os problemas que se manifestam ou persistem na adolescência e na idade adulta incluem o fracasso escolar, pouca auto-estima, ansiedade, depressão e dificuldades em ter um comportamento social adequado. As pessoas que sofrem de défice de atenção aparentam adaptar-se melhor às situações laborais do que às escolares.
Quando o défice de atenção não é tratado, o risco de abuso de álcool ou de estupefacientes e a percentagem de suicídios podem ser mais elevados do que na população em geral.

SINTOMAS DA PERTURBAÇÃO DE DÉFICE DE ATENÇÃO

O diagnóstico do défice de atenção requer que a criança manifeste com frequência pelo menos 8 dos seguintes sintomas.

Esfrega com frequência as mãos ou os pés ou mexe-se no assento (inquietação).
Tem dificuldade em permanecer sentada quando lhe é exigido que o faça.
Distrai-se facilmente com estímulos estranhos.
Tem dificuldade em esperar a sua vez nos jogos ou nas situações de grupo.
Costuma deixar escapar impulsivamente as respostas antes de as perguntas terem sido terminadas.
Tem dificuldade em seguir as instruções dos outros, apesar de as entender e de não ser sua intenção ir contra.
Tem dificuldade em manter a atenção nas tarefas ou nas actividades do jogo.
Costuma deixar uma tarefa incompleta para iniciar outra.
Tem dificuldade em brincar tranquilamente.
Fala com frequência excessivamente.
Interrompe ou aborrece os outros com frequência.
Não parece com frequência ouvir o que lhe dizem.
Perde frequentemente as coisas necessárias para as tarefas ou para as actividades na escola ou em casa.
Dedica-se com frequência a actividades fisicamente perigosas sem considerar as possíveis consequências.JN

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Há doentes com cancro a deixar de se tratar por dificuldades económicas


O presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, Jorge Espírito Santo, diz, em declarações ao jornal Público, que lhe têm chegado “informações, sem carácter oficial, de que há doentes com cancro a faltar a consultas e a tratamentos de rádio e de quimioterapia, devido a dificuldades económicas”.

Carlos Oliveira, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), confirma ao Público que uma parte dos 2,6 milhões de euros gastos em 2011 na “humanização do apoio ao doente” foram aplicados no pagamento de transporte. Ambos se dizem preocupados.

O primeiro pede razoabilidade e bom senso na aplicação das leis; o segundo solicita apoio, em dinheiro, à população.

Há cerca de meio ano, quando foi internado em Coimbra para mais uma sessão de quimioterapia, Luís Cardona, de 46 anos, residente na Covilhã, descobriu que não teria como regressar a casa. Depois do tratamento, que por ser especialmente agressivo o obrigava a dormir no Instituto Português de Oncologia (IPO), a médica disse-lhe: “Não sei como é que amanhã vai para casa… Infelizmente, não podemos arranjar transporte”.

Luís tem dificuldade em expressar o que sentiu. Estava na fase em que tinha muito medo (diz que o medo “era muito maior antes da cirurgia”); antevia o mal-estar que em breve o ia derrubar; não conhecia uma única pessoa em Coimbra; estava a 200 quilómetros de casa; e tinha dez euros no bolso. Disse à médica: “Aqui é que não fico”. Mas “foi da boca para fora”. Não sabia o que fazer: faltou-lhe o ar, tal a sensação de abandono. Passou assim uma noite. Depois, teve “sorte”. Dos serviços de acção social do IPO, mandaram-no para o gabinete da LPCC. A assistente social acalmou-o. Dar-lhe-ia dinheiro para o autocarro e quando regressasse para novo tratamento, deveria trazer prova dos rendimentos e ela daria o suficiente para outra viagem de ida e volta.

Isso significava quatro horas para lá e quatro horas para cá, o dobro do que demorava de ambulância. Luís, finalmente, inspirou: “Foi como se em vez de dinheiro ela me tivesse dado um balão de oxigénio”.

O que é que aconteceu entre a última requisição de transporte em ambulância e aquela tarde? Os arquivos não indicam qualquer alteração legislativa naquela altura. E pode até não ter acontecido nada de significativo, diz o presidente do Colégio de Oncologia.

“Não tenho conhecimento de que, em qualquer instituição, tenha sido dada uma ordem directa para restringir as requisições de transporte. O que sei, oficiosamente, é que de mês para mês se tem adensado a pressão no sentido de as limitar ao mínimo indispensável; e também que as regras variam consoante o estabelecimento, as mudanças das administrações e as épocas do ano”, diz Jorge Espírito Santo ao Público.

A legislação em vigor, do fim de 2010, limitou o pagamento de deslocações à insuficiência económica ou incapacidade física por motivos clínicos. A queda de requisições, na altura, provocou uma onda de indignação entre corporações de bombeiros.

De então para cá, a confusão sobre quem tem direito a quê e em que circunstâncias só se agravou.

Crise não justifica tudo

A regulamentação do diploma, em Maio, não clarificou a situação, a alteração feita no final de 2011 introduziu mais ruído e o resultado dos avanços e recuos nas recentes negociações entre Governo e bombeiros ainda não tomou forma de lei. “Quando isso acontecer, continuará a não bastar”, diz Jorge Espírito Santo, que pede “bom senso, razoabilidade e cuidado na análise de cada caso”, porque “nenhuma crise justifica que certos limites sejam ultrapassados”.

“Será difícil entender que a crise, que tem deixado tanta gente em situações tão graves, tem reflexos ainda mais sérios na vida de um doente com cancro? Que esta é uma doença que debilita toda a família? Que é ela própria causa de desemprego e de dificuldade em arranjar emprego? Que muitas vezes alguém tem de se despedir [do emprego] para apoiar o familiar doente?”, pergunta o presidente da LPCC.

Luís Cardona, por exemplo, não tinha dificuldades, diz a lei. Ele ganhava 600 euros, a mulher o ordenado mínimo. Acontece que “é preciso fazer contas ao resto”, explica — à prestação da casa; ao preço dos medicamentos; ao custo da alimentação; aos gastos com manuais escolares e com roupa e calçado para o filho; à água, à luz e ao gás; e até à depressão da mulher que, depois de meses de luta, teve de meter baixa, também. “Se não fosse a ajuda da liga, de onde viriam os cem euros para as viagens?”, pergunta.

Manuela Proença, que tem cancro da mama, vive mais perto de Coimbra — em Aveiro. Nos primeiros tempos deslocou-se de ambulância. Primeiro legalmente, depois à boleia, com outros doentes. Até que, um dia, os bombeiros lhe disseram que “não podiam continuar a arriscar”. Foi então que pediu à médica que lhe passasse uma requisição. Ela disse que não, que fisicamente Manuela estava capaz de andar em transportes públicos. E Manuela — que só quando teve cancro descobriu que a patroa não fizera os descontos para a Segurança Social — não explicou que os 187 euros que recebia de Rendimento Social de Inserção não chegavam, sequer, para pagar a prestação da casa.

Como Luís, Manuela diz que teve “sorte”. Indicaram-lhe o gabinete da LPCC. Numa primeira fase, a assistente social deu-lhe dinheiro para o transporte. Depois, quando se apercebeu de que ela estava em risco de perder a casa e de que não se alimentava devidamente, abriu outro processo, para o chamado apoio de segunda linha, e passou a dar-lhe 250 euros por mês. “Foi o que me valeu para endireitar a vida”, diz Manuela.

Ainda está a fazer radioterapia, mas já arranjou emprego e pagou quase “todas as dívidas”. Passou a receber da LPCC apenas 100 euros e está prestes a poder dizer que já não precisa deles.

Vamos precisar de dinheiro

Manuela e Luís querem que as pessoas saibam “para onde vão os seus donativos” e como eles podem ser decisivos. “Ver, não vi. Mas várias vezes ouvi falar, no IPO, que havia gente a falhar consultas e tratamentos por falta de dinheiro”, conta Luís.

O presidente da LPCC prefere não comentar: “Falo do que sei e disso não sei. Mas estou muito, muito assustado com o que vai acontecer neste ano de 2012”.

“Se há um ano apareciam seis pessoas por dia, agora aparecem dezasseis”, conta Margarida Costa, a assistente social da liga que trabalha no IPO. Uma das pessoas que apareceram foi P., de 38 anos. O marido, que trabalhava na construção civil, teve um cancro no cérebro. Foi operado, passou a ter crises de epilepsia e ela teve de deixar o emprego para cuidar dele e da filha. Porque recebiam a baixa do marido e possuíam habitação própria — construída aos poucos, ao longo dos anos — não tiveram direito a qualquer apoio da Segurança Social. P. não perdoa à técnica que lhe sugeriu que se divorciassem ou que pusessem a casa em nome de terceiros, para que os pudesse ajudar. Sentiu-se à beira do precipício. E também a ela valeu a LPCC.

Carlos Oliveira encolhe os ombros quando lhe perguntam se a quase informalidade e os critérios subjectivos com que a liga distribui dinheiro não a torna vulnerável a fraudes. “Temos sistemas de controlo, mas ainda assim, mais do que dar meia dúzia de euros a quem não precisa, preocupa-me não chegar a quem precisa”, diz.

Oliveira adivinha que “o pior ainda está para vir”, porque, “como no país, em geral, também entre os doentes com cancro há pobreza envergonhada”, explica. Não tem pudor em pedir donativos: “Temos de conseguir chegar a essas pessoas e, quando isso acontecer, vamos precisar de dinheiro para as ajudar”. JN
PRIVAÇÃO DE SONO aumenta risco de diabetes, depressão, cancro e doenças cardiovasculares

A neurologista Teresa Paiva alertou sábado, no Porto, para os efeitos da redução do sono ou do dormir em excesso, associando-os a um risco aumentado de hipertensão arterial, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, cancro, depressão e de acidentes, avança a agência Lusa.

“O que as pessoas têm de perceber é que para além destes efeitos orgânicos sobre a saúde, reduzir o sono tem outros efeitos muito mais complicados ao nível da cognição. As pessoas começam a pensar mal, a ter graves problemas de memória, a ter lapsos e, fundamentalmente, perdem os seus equilíbrios emocionais”, afirmou em declarações à Lusa.

Teresa Paiva, que sábado abordou no Simpósio Aquém e Além do Cérebro as “Relações mútuas entre sono, sonhos e sociedade”, salientou que “tanto a parte cognitiva, como a emocional são altamente recicladas e reorganizadas no sono e, portanto, não dormir é extremamente perigoso”.

Segundo a investigadora, os portugueses são os que se deitam mais tarde no mundo. “Setenta por cento da população vai para a cama depois da meia-noite, mas o grave não é deitarem-se tarde, é deitarem-se tarde e levantarem-se cedo”, considerou.

Na actual situação de crise, Teresa Paiva citou a sua experiência clínica e existencial para afirmar que os casos de insónia têm vindo a aumentar e as queixas apresentadas também são diferentes.

“As coisas que lhes são lesivas são diferentes das que apresentavam anteriormente. Agora, é muito mais a ameaça de desemprego, o desemprego dos filhos, o trabalho instável, o trabalho em excesso com medo de perder o emprego, os encargos financeiros ou os créditos, às vezes de familiares de quem foram fiadores”, explicou.

De acordo com a sua experiência, uma vez que ainda não há estudos científicos sobre o assunto, “os paradigmas são agora bastante diferentes dos que eram anteriormente”. Teresa Paiva considera que o clima que se vive no país é “extremamente negativo para a saúde das pessoas, que ficam deprimidíssimas com tudo o que ouvem”.

Defende, por isso, a necessidade de transmitir “mensagens de esperança”, porque “não se cura um doente dizendo-lhe que está muito mal e vai morrer. Os mecanismos de cura são iguais quer nos indivíduos quer nas sociedades, tem de se abrir a caixinha de pandora para saírem os demónios, mas também a esperança”.

“Se calhar eu e uma pessoa com insónia dormimos da mesma maneira. A única diferença é que eu não me importo minimamente e gosto da forma como durmo e ela importa-se imenso. Esta perspectiva pessimista em relação ao seu sono, vida ou ao seu país é que é lesiva e leva à doença”, exemplificou.

Assim, insiste a investigadora, “a perspectiva que se tem sobre as coisas e a mudança de comportamentos são muito importantes. Devem assumir-se bons comportamentos de saúde, como dormir as horas necessárias e de forma regular, comer bem, fazer exercício físico, que não seja à noite, e reduzir a actividade excessiva”.

“Se eu quisesse via doentes até a meia-noite, mas não aguentaria. A pressão da sociedade não nos tornou mais ricos nem nos tornou felizes”, frisou.

As perturbações do sono situam-se entre as perturbações cerebrais mais dispendiosas na Europa. Em 2010, foram gastos 35,4 mil milhões de euros, ocupando a 9.ª posição num grupo de 19 perturbações.

A neurologista defende que a sociedade e os serviços de saúde são obrigados a prestar atenção aos números actuais.

“No caso de não ser desencadeada qualquer acção, as actuais influências entre sociedade, sono e sonhos podem resultar num cenário dramático: os indivíduos esforçados e lutadores podem tornar-se depressivos, esquecidos e doentes e transformar-se em cidadãos incapazes de agir e cooperar de modo eficiente com a sociedade actual, altamente exigente”, sustentou.

Esta investigadora tem-se manifestado contra o excessivo consumo de medicamentos para dormir. “Há estudos que provam que quem toma regularmente hipnóticos sofre um aumento do risco de morte precoce e de cancro”, afirmou. JN

sábado, 31 de março de 2012

ALIMENTAÇÃO E COLESTEROL

O colesterol só existe nos produtos de origem animal. Os vegetais não têm colesterol, nem mesmo as gorduras vegetais como o azeite, os óleos e as margarinas vegetais. Não quer isto dizer que se podem consumir à vontade! Para tratar a hipercolesterolemia, é imprescindível diminuir a quantidade de gorduras ingeridas, independentemente do tipo de gordura!

Assim, o primeiro ...passo no tratamento da hipercolesterolemia é reduzir o consumo total de gordura da alimentação e seleccionar o tipo de gorduras utilizado.

Devem-se evitar as gorduras de origem animal, geralmente saturadas e ricas em colesterol, como é o caso da manteiga e da banha. O azeite, uma gordura monoinsaturada, é a gordura de eleição, quer para temperar, quer para cozinhar, mas usado sempre com moderação. Os óleos e margarinas vegetais, que são ricos em ácidos gordos polinsaturados, também podem ser utilizados, desde que em pequenas quantidades.

Em relação ao colesterol propriamente dito, quem tem hipercolesterolemia não deve ingerir mais de 200mg de colesterol por dia. Para tal, é necessário evitar os alimentos mais ricos neste tipo de gordura, como a vísceras e as carnes gordas, o leite gordo e os seus derivados (manteiga, natas, queijo gordo).

Escolha lacticínios com baixo teor de gordura. Dê preferência ao peixe em vez da carne. A gordura do peixe é rica em ácido gordos ómega 3, um tipo de gordura que ajuda a combater a hipercolesterolemia e previne as doenças cardiovasculares. Não abuse dos ovos, a gema é rica em colesterol. Limite o seu consumo a 2 ovos por semana, e não se esqueça daqueles que estão escondidos nos produtos cozinhados, como nos molhos, empadões, bolos, etc..

Procure aumentar o consumo de fibras. Aumentar a ingestão de fibras, facilita a eliminação de colesterol nas fezes. Os legumes, as hortaliças e as frutas fornecem o tipo de fibras mais úteis no tratamento da hipercolesterolemia: as fibras solúveis. Coma legumes e hortaliças, cozidos ou em saladas todos os dias e não se esqueça do prato da sopa, antes do almoço e do jantar. À sobremesa prefira a fruta fresca.

Por fim, faça exercício físico! Vai protegê-lo das complicações da hipercolesterolemia e diminui o risco de uma trombose ou enfarte.

ALIMENTOS DESACONSELHADOS

Leite gordo, iogurte gordo queijo gordo
Leite condensado
Natas
Carnes gordas, peles e gorduras visíveis de peixes,
aves e outras carnes
Conservas de carne e enlatados à base de carne
Vísceras (fígado, rim, tripa, mioleira,…)
"Salgadinhos": rissóis, croquetes, pastéis,
empadas, folhados, etc.
Produtos de salsicharia: chouriços, salpicão, salsichas, mortadela, galantinas, presunto, linguiças, etc.
Molhos (maionese, molho de carne, etc.)
Mariscos e moluscos (choco, polvo, lula)
Gorduras sólidas: manteiga, banha
Cacau e chocolate
Sumos,néctares, refrigerantes
Xaropes e licores (em especial se existir obesidade ou aumento dos trigliceridos no sangue)
Doces, bolos, pudins, gelados.
TIPOS DE GORDURAS

As gorduras são constituídas por pequenas unidades chamadas ácidos gordos. Os diferentes tipos de ácidos gordos existentes nas gorduras ocorrem em quantidades variáveis nos vários alimentos e o efeito da sua ingestão no organismo humano é muito diferente, por exemplo na acção exercida sobre o colesterol e outros lípidos do sangue.

Os ácidos gordos são classificados em: saturado...s, monoinsaturados e polinsaturados.

Uma gordura designa-se de saturada, monoinsaturada ou polinsaturada consoante o tipo de ácido gordo que exista em maior quantidade na sua constituição.

Por exemplo, o azeite diz-se uma gordura monoinsaturada porque nele existem sobretudo ácidos gordos monoinsaturados, ao contrário da banha, uma gordura dita saturada, porque apesar de também conter ácidos gordos monoinsaturados contém, em maior quantidade, os saturados.
De todos os ácidos gordos existentes na natureza existe um grupo com especial importância para o Homem: os ácidos gordos ómega.JN
ÁCIDOS GORDOS MONOINSATURADOS

O ácido oleico, que é o maior constituinte do azeite, é o ácido gordo monoinsaturado mais comum na nossa alimentação. As melhores fontes deste tipo de ácido gordo, além do azeite, são o óleo de canola, o óleo de amendoim, os frutos oleaginosos (amêndoa, nozes, amendoim, avelã, etc.) e o abacate.

Os ácidos gordos monoinsaturados devem fornecer cerca de 15-20% da energia consumida diariamente. O ácido oleico (componente maioritário do azeite, como já vimos) deve ser a gordura consumida em maior quantidade: 60% do total de gordura ingerida, em média 35 a 40g por dia.
ÁCIDOS GORDOS POLINSATURADOS

Os ácidos gordos polinsaturados podem ser divididos em duas grandes famílias: os ómega 6 e os ómega 3, consoante a sua estrutura química. Cada um dos grupos tem acções muito diferentes no organismo.

Os ácidos gordos da série ómega 6 podem ser obtidos dos vegetais e sementes mas são os óleos de sementes como o de soja ou girassol os maiores fornecedores. Os ómega 6 de...sempenham um papel importante no desenvolvimento cerebral e a sua deficiência origina, entre outros problemas, atrasos de crescimento e dermatites.

Os ácidos gordos ómega 3 com interesse nutricional são o linolénico e os seus derivados EPA e DHA. O ácido linolélico é essencial para o Homem, isto é, não pode ser sintetizado pelo organismo a partir de outras substâncias, tem de ser fornecido pela alimentação. A sua ingestão deficiente gera graves problemas de saúde.
A deficiência de ácidos gordos da série ómega 3 origina alterações neurológicas, dificuldades de aprendizagem, diminuição da acuidade visual, entre outros.

Os ómega 3 favorecem a diminuição do colesterol no sangue, têm propriedades anti-trombóticas (evitam a trombose) e anti-aterogénicas (previnem a aterosclerose que resulta no entupimento das veias). Têm um efeito protector sobre o aparecimento de perturbações do ritmo cardíaco e das doenças cardiovasculares de uma forma geral.

O consumo excessivo de ómega 3 pode ser prejudicial, por exemplo dificultando a resposta às infecções.

Cerca de 10% da energia diária deve ser obtida dos ácidos gordos polinsaturados e o ácido linolénico deve contribuir com 2 a 3 g por dia.

O QUE SÃO OS ÓMEGA 3?
São ácidos gordos (constituintes das gorduras), polinsaturados, que abundam nos óleos de peixe e que são normalizadores do nível de colesterol no sangue e possuem um potente efeito protector contra as doenças cardiovasculares, além de muitas outras funções no organismo. Dizem-se ácidos gordos essenciais porque não podem ser sintetizado pelo homem a partir de outras substâncias e têm de ser obtidos da alimentação em quantidade suficiente para não gerar deficiência.

ONDE EXISTEM OS ÓMEGA 3?
O ácido linolénico é de origem vegetal e está presente nos vegetais de folha escura como brócolos e espinafres. O EPA e DHA podem ser sintetizados pelo homem a partir do linolénico, mas com baixo rendimento, pelo que é desejável que a alimentação os forneça em quantidade adequada. O EPA e o DHA são fornecidos em grande quantidade pela gordura dos peixes, sobretudo os de água fria. Os peixes convertem o ácido linolénico (presente nas algas em quantidade apreciável) em EPA e DHA que se acumulam na gordura daqueles animais, o que faz com que sejam dos melhores fornecedores de ómega 3. O óleo de fígado de peixe é um grande fornecedor deste tipo de ácido gordo. São também bons fornecedores, entre outros, o arenque, o salmão, a enguia, o sável, o chicharro, o congro, o carapau, a cavala e a sardinha.JN

terça-feira, 27 de março de 2012

Chocolate pode ajudar a emagrecer

Saúde
Chocolate pode ajudar a emagrecer

As pessoas que consomem chocolate várias vezes por semana, poderão ser mais magras do que aquelas que evitam este alimento, sugere um estudo realizado nos EUA e cujos resultados foram publicados na revista científica Archives of Internal Medicine. A contrariar o senso comum, a investigação apurou que o elemento importante é a frequência do consumo de chocol...ate e não a quantidade consumida. Enfim, pode comer-se, desde que seja de forma regular, avança o Diário de Notícias.

Os cientistas investigaram 1000 pessoas, observando a sua dieta, consumo de calorias e índice de massa corporal (IMC), indicador que identifica a obesidade. Ora, o consumo regular de chocolate, apesar de implicar a absorção de muitas calorias, estava ligado a um IMC mais baixo. As hipóteses destes resultados serem obtidos por acaso são de apenas 1%, dizem os investigadores, liderados por Beatrice Golomb, da Universidade da Califórnia em San Diego.

Com esta base estatística, a conclusão da equipa é de que a composição das calorias tem importância na formação do peso. E o chocolate preto é um alimento que os cientistas sabem ter efeitos positivos para o organismo, pois possui anti-oxidantes que eliminam os radicais livres instáveis capazes de danificarem as células, além de outros compostos que melhoram a pressão arterial ou o nível de colesterol. Apesar de todos estes aspectos positivos, a informação não exclui a prudência. Demasiado chocolate fará certamente engordar. Comer de vez em quando, além de uma prazer, será também benéfico.

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Reino Unido vai duplicar financiamento para investigação sobre DEMÊNCIA

O Governo britânico vai mais do que duplicar o financiamento à investigação científica sobre a demência nos próximos três anos, anunciou esta segunda-feira o primeiro-ministro, David Cameron, avança a agência Lusa.

Dos estimados 26,6 milhões de libras (31 milhões de euros) gastos em 2010, o Governo pretende chegar às 66 milh...ões de libras (79 milhões de euros) em 2015.

"Um dos grandes desafios do nosso tempo é o que eu chamo de crise silenciosa, uma crise que rouba vidas e despedaça os corações das famílias mas cujo impacto é raras vezes reconhecido", disse David Cameron.

Julga-se que esta doença de foro psicológico afecte actualmente cerca de 670 mil pessoas, prevendo-se que chegue a um milhão nos próximos 10 anos.

Além da investigação para procurar tratamento e cura, as autoridades querem melhorar as formas de lidar com este problema, incluindo empresas, comunidades e organizações não-governamentais.

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O QUE SÃO AS DOENÇAS NEUROMUSCULARES?

O termo “Doenças Neuromusculares” aplica-se a um universo muito alargado de diferentes patologias, já identificadas, e engloba as doenças dos músculos (Miopatias), doenças dos nervos (Neuropatias) doenças dos cornos anteriores da medula (Atrofia Espinais) e as perturbações da junção neuromuscular (Miastenias), entre outras.

São doenças genéticas, hereditárias e progressivas e todas têm em comum a falta de força muscular, necessitando os doentes, a quem foram diagnosticadas, de apoios e/ou ajudas técnicas – cadeiras de rodas eléctricas ou andarilhos para a sua locomoção, computadores para a escrita, apoios de cabeça, ajudas várias para a manipulação, veículos de transporte adaptados, etc.

Os músculos pulmonares e o coração são frequentemente afectados, provocando dificuldades respiratórias e cardíacas. A fraqueza muscular atinge também os músculos da coluna vertebral, dando origem a inevitáveis escolioses que vão agravar, ainda mais, as dificuldades respiratórias. Nestes casos pode ser necessária uma intervenção cirúrgica de correcção, que melhora substancialmente a qualidade de vida dos doentes. Ao nível das extremidades, surgem deformações e retracções tendinosas que aumentam as dificuldades nos movimentos. Apesar de toda a fraqueza muscular e deformações articulares, os doentes neuromusculares mantêm, na sua grande maioria, um nível intelectual normal.

Estas doenças não têm, por enquanto, cura. No entanto, os diversos problemas que afectam os doentes podem ser minorados com o apoio das equipas multidisciplinares que incluam neuropediatras, neurologistas, fisiatras, ortopedistas, psicólogos, cardiologistas e especialistas das funções respiratórias que, vão sendo constituídas nos vários centros hospitalares e trabalhando em comum.

QUANTAS PESSOAS ESTÃO AFECTADAS POR UMA DOENÇA NEUROMUSCULAR?

Estima-se que em Portugal, país com cerca de 10 milhões de habitantes, e de acordo com dados estatísticos internacionais, existam mais de 5000 doentes afectados, encontrando-se distribuídos por diferentes patologias.

Um inquérito realizado em 11 das 13 Consultas de Neuropediatria existentes no País, revelou a existência, nos últimos 10 anos, de 659 doentes com doenças neuromusculares em idade pediátrica. Em 599 destes doentes foi identificada uma doença genética. Na maioria destas crianças o apoio precoce a estas situações, por parte dos pais e técnicos de saúde, nomeadamente no respeitante ao diagnóstico e terapêutica, faz-nos prever que atingiram, ou irão atingir, a idade adulta com situações relativamente controladas e que irão depender de cuidados de saúde continuados e acessíveis, para manterem a sua integração na sociedade, a qualidade de vida e o tempo de sobrevida para os quais este apoio precoce os preparou.

Também os restantes doentes adultos, alguns com diagnóstico mais tardio ou falta de apoio, apresentam hoje agravados e progressivos problemas médicos e sociais o que torna imperioso o seu apoio adequado através de cuidados médicos continuados.

NECESSIDADES BÁSICAS ESSENCIAIS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA:

• Criar condições para que todas as limitações inerentes à doença sejam supridas.
• Acompanhamento médico especializado em consultas multidisciplinares.
• Atribuição de ajudas técnicas adaptadas e em tempo útil face à progressão da doença.
• Em alguns casos, felizmente, raros, o uso de suplementos alimentares como substituto da alimentação normal por incapacidade de mastigação e dificuldade de deglutição.
• Necessidade de uma terceira pessoa em permanência para as actividades da vida diária.
• Apoio acrescido às famílias (psicológico, económico e outros), tentando compensar os elevados custos (materiais e emocionais) inerentes ao acompanhamento de alguns destes doentes.
• Implementação e fiscalização efectiva das normas de acessibilidades.
• Criação de um centro de referência e qualidade para os doentes neuromusculares.
• Criação de unidades especializadas de internamento médio/prolongado, de apoios continuados e domiciliários.

ALGUMAS DIFICULDADES MAIS LIMITATIVAS:

Incapacidade das famílias para, com os míseros apoios existentes, darem o acompanhamento necessário para que haja uma eficiente integração na escola e no trabalho.
Falta de vontade política dos responsáveis para ajudar a resolver os problemas:

• Continuam a ser construídos edifícios absolutamente inacessíveis a estes doentes;
• Continuam-se a construir ou a renovar passeios, mantendo barreiras intransponíveis para a circulação destas pessoas.

Nos, infelizmente ainda raros, casos de doentes neuromusculares graves inseridos no mundo do trabalho, queremos acreditar que a falta de conhecimento do carácter progressivo destas doenças, poderá exigir a reforma antecipada sem a perda de direitos.
Quando se circula nas auto-estradas com os veículos mais adequados ao transporte destes doentes (normalmente furgões ou equivalentes), as portagens são debitadas como classe 2 e não 1 apesar de, desde o ano 2000 a Associação de Doenças Neuromusculares ter formalizado um pedido ao INR (Instituto Nacional para a Reabilitação), para que esta situação seja alterada. Todos concordam com a injustiça da medida, mas ninguém está disposto a fazer o que quer que seja para a alterar.
Os serviços de medicina física e reabilitação dos hospitais e as clínicas da especialidade não têm dado resposta às necessidades específicas destes doentes. JN

sexta-feira, 23 de março de 2012

GESTÃO DO STRESS CAUSA MUDANÇAS FISIOLÓGICAS EM MULHERES COM CANCRO DA MAMA

Investigadores da Universidade de Miami, nos EUA, descobriram que a gestão do stress em mulheres com cancro da mama pode alterar os processos que promovem a progressão do tumor em níveis moleculares.

A investigação descrita na revista Biological Psychiatry revela que a terapia cognitivo-comportamental projectada para mu...lheres com a doença afecta a forma como genes nas células do sistema imune são ligados e desligados, de modo que pode facilitar a recuperação durante o tratamento.

"As mulheres que participaram da intervenção apresentaram melhor adaptação psicológica a todo o processo do tratamento para o cancro da mama e mostraram mudanças fisiológicas que indicavam que elas estavam recuperando melhor", observa o líder da pesquisa Michael H. Antoni.

Segundo os investigadores, os resultados sugerem que a terapia reduz a influência do stress no tratamento e promove uma recuperação ao longo do primeiro ano.

Pesquisas anteriores já tinham mostrado que em momentos de adversidade, os sistemas nervoso e endócrino enviam sinais ao sistema imunológico. Em resposta, o corpo activa genes específicos no interior das células do sistema imunológico, chamadas glóbulos brancos ou leucócitos.

Nas mulheres que participaram dos grupos de intervenção, os genes que sinalizam a produção de moléculas associadas a uma resposta imune saudável, tais como interferon, mostravam que elas estavam a produzir mais destas substâncias, em comparação aos níveis observados no grupo de controlo. "Ao mesmo tempo, os genes responsáveis pela produção de substâncias envolvidas na progressão do cancro, tais como citocinas pró-inflamatórias, quimiocinas e metaloproteinases matriciais foi reduzida", destaca Antoni.

A terapia consiste num programa de 10 semanas que combina imagens de relaxamento e respiração profunda, juntamente com a terapia comportamental cognitiva, que é projectada para ajudar os pacientes a reduzir a tensão corporal, mudar a forma como eles lidam com pensamentos intrusivos de stress, diminuir humores negativos e melhorar suas habilidades de comunicação interpessoal.

No estudo, 79 mulheres submetidas a tratamento primário para o cancro da mama foram aleatoriamente separadas para um programa de terapia ou um grupo de controle psicoeducacional nas semanas após a cirurgia.

A equipa de pesquisa pretende seguir as mulheres da pesquisa por um período maior para avaliar os efeitos da intervenção sobre a expressão génica de leucócitos a longo prazo.JN
CANCRO E NUTRIÇÃO

A promoção de um adequado estado nutricional no paciente com cancro é um fator importante, uma vez que o declínio do estado nutricional encontra-se associado à redução da qualidade de vida e dos níveis de atividade física, e potencia os efeitos adversos dos tratamentos. A perda de peso corporal é um dos primeiros sintomas frequentemente referido pelos pacientes recentemente dia...gnosticados, estando a sua frequência e severidade correlacionada com o estadio do cancro, uma vez que os tratamento clínicos associados podem potenciar a diminuição da ingestão alimentar e redução de apetite. Dependendo da localização e severidade do cancro, 31 a 87% dos pacientes apresentam perda de peso após o diagnóstico. A perda de peso corporal severa ( > 10% nos últimos seis meses) é ainda referida em 15% dos pacientes aquando do diagnóstico. No caso específico de cancro pancreático ou do estômago, 85% dos pacientes apresentam perda de peso corporal, sendo que em 30% a perda é considerada severa.
A avaliação do estado nutricional deve ser realizada assim que seja diagnosticado o cancro, com o objetivo de iniciar uma terapêutica nutricional adequada o mais precocemente possível, nos pacientes que se encontrem em risco de desenvolver um estado de malnutrição, ou que já se encontrem com malnutrição moderada ou severa.
A terapêutica nutricional tem como objectivos prevenir ou reverter o estado de malnutrição/caquexia e promover a adesão e controlar possíveis efeitos secundários dos tratamentos clínicos. O plano nutricional deve ser calculado consoante as necessidades nutricionais do paciente, e planeado de forma individualizada, respeitando as suas preferências alimentares. A monitorização da terapêutica nutricional deverá ser frequente e o plano alimentar reavaliado consoante alterações no quadro clínico e necessidades nutricionais.JN
Estudos publicados na “The Lancet” e “The Lancet Oncology”
ASPIRINA PODE AJUDAR NO COMBATE AO CANCRO

A aspirina, um medicamento já amplamente utilizado na prevenção do enfarte agudo do miocárdio, pode também ter um papel importante na prevenção e tratamento do cancro, dão conta três estudo publicados nas revistas “The Lancet” e “The Lancet Oncology”.
Estudos anteriores realizados pelos mesmos investigadores da University of Oxford, no Reino Unido, mostraram que a toma diária de aspirina, ao longo de 10 anos, parecia impedir o aparecimento de alguns cancros, mas os benefícios a curto prazo, assim como os seus efeitos benéficos nas mulheres não eram claros. Contudo, estes novos estudos indicam que o efeito benéfico da aspirina pode ocorrer mais cedo.
Assim, no primeiro estudo, publicado na revista “The Lancet”, os investigadores liderados por Peter M. Rothwell analisaram 51 ensaios clínicos e constataram que a toma diária de uma dose baixa de aspirina reduzia o risco de morte por cancro em 15%. A toma deste medicamento, ao longo de 3 anos diminuía o risco em 25% tanto para os homens como para as mulheres e ao fim de cinco anos ou mais, o risco diminuía 37% . Adicionalmente foi também verificado que a toma de aspirina foi associada com uma redução de 12% das mortes devido a causas não cardiovasculares.
No segundo estudo, publicado igualmente na revista “The Lancet”, os investigadores analisaram os resultados de cinco ensaios clínicos, tendo verificado que a toma diária de uma dose baixa de aspirina (75 miligramas ou mais), ao longo de seis ou mais anos, reduziu em 36% o risco de formação de metástases distantes, em comparação com os pacientes oncológicos que tomaram um placebo.
A toma de aspirina também foi associada a uma redução de 46% do risco de formação de metástases nos tumores sólidos, como o do cólon, pulmão e cancro da próstata e uma redução de 18% do cancro da bexiga e do rim. De acordo com os cálculos realizados pelos investigadores, os pacientes que continuavam a tomar aspirina após o diagnóstico do cancro tinham uma redução de 69% do risco de formação de metástases.
A aspirina também reduziu o risco de morrer de cancro para metade, o qual foi mantido mesmo após os autores do estudo terem tido em conta a idade e o sexo dos pacientes.
No terceiro estudo, publicado na “The Lancet Oncology”, os investigadores examinaram o efeito da aspirina na formação de metástases através da análise de estudos observacionais. Estes estudos revelaram uma redução de 38% para o cancro do cólon, a qual foi também observada nos ensaios clínicos. Resultados semelhantes foram encontrados para o cancro do esófago, gástrico, biliar e da mama.

CONCLUSÃO
O diretor da farmacoepidemiologia da American Cancer Society, revelou, em comunicado de imprensa, que “este estudo mostra que a longo prazo a toma de aspirina diária pode diminuir o risco de desenvolvimento de cancro. Mas como estes resultados são novos, ainda vai demorar algum tempo até que a comunidade científica os avalie e que considerem que as guidelines devam ser alteradas.”JN